domingo, 13 de julho de 2008

NOTÍCIAS DE UMA FESTA PARTICULAR

Dai a César o que é de César

Dai às antas o que é das antas

Àquele nem mesmo as horas

Não choras porque cantas

sábado, 10 de novembro de 2007

RIQUELME: O menino que tem um “RI” no nome

O bom presságio já veio ontem: vi um menino correndo (como na música...), pequeno, de camiseta vermelha, com o irmão mais velho e a mãe, em direção ao supermercado. Uma ceninha corriqueira que me comoveu, porque o pequeno parecia mesmo muito contente. Os dois faziam micagens e invejei a inocência daquela criança que com tão pouco se alegrava. Ganharia um brinquedo? Estaria se divertindo com a possibilidade de correr livremente? Ou por estar junto com a mãe e o irmão? Ou porque estava simplesmente brincando? A cena me fez lembrar aquela felicidade boba, que nem se sabe felicidade, que só é possível na infância, quando não temos noção das coisas – dos perigos e das maldades, quando habitamos o paraíso que inevitavelmente perdemos depois.

Hoje soube que um menino de cinco anos, vestido de Homem-Aranha, salvou uma menina-bebê de um incêndio em Santa Catarina. Ele brincava de super-herói quando percebeu o incêndio e entrou na casa para resgatá-la. A história é toda feliz, a graça é dupla: sucesso e piada. Poderia ser uma mini-comédia romântica, tem um herói bem-sucedido e engraçado, mas é melhor, porque os personagens são mini e a história é real. Real? Talvez o herói nem saiba disso. Ou eu não saiba o que é o real.

O herói é firme, corajoso e determinado como todo verdadeiro e adulto herói, mas sua arma é fantástica: sua arma é sua alma. Sua arma é uma fantasia de homem-bicho que revelou o heroísmo da sua alma. O instinto de preservação da vida revelou-se fé em si mesmo. O instinto revelou-se alma. Ambos existem, mas aparecem como fantásticos para quem já não brinca mais tanto e está longe desses dois continentes. A história revelou que precisamos de vitórias e dos super-poderes que estão guardados em nós. Quem dera fôssemos uma tropa de heróis assim!

O herói é um bombeiro tresloucado, que desconhece as regras de segurança, porque sua segurança é desregrada. É travesso e irreverente, maroto e inocente. Tem imaginação muito “treinada” e força física apenas suficiente. “Veste a camiseta”. Veste a farda (que é quase uma fralda!) não só com orgulho, mas com toda a sua fé. Pouco racional isso, mas, dessa vez, a vitória foi possível através do irracional.

Bem-sucedidos (são os que) espalham sucesso. Sortudos (são os que) espalham sorte. Onde este pequeno bem-aventurado aprendeu técnicas de resgate? Ele sabia o que estava fazendo. Não duvido da mão de Deus no episódio, mas acredito que milagres como os que Jesus fazia eram desse tipo, possíveis e humanos, afinal, ele mesmo era humano, apenas via as coisas de um jeito diferente e maluco. Ou via o sentido das coisas.

Obrigada, menino-maluquinho, por ter me feito rir como uma criança!

(Preciso ler “A Psicanálise dos Contos de Fadas”... ou a dos “Contos de Fraldas”...rss ... e todos esse livros recentes com crianças protagonistas... e não quero mais ler notícias de crianças vítimas de violências.)

Leia a notícia e veja a carinha do meu mais novo herói: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a1673321.xml